familia

Não saímos de fabrica sabendo amar ou pedir o que queremos. Tão pouco sabendo do que isso se trata. Mas poucos instantes após ver o mundo pela primeira vez, começamos a aprender essas e outras coisas, que podemos dizer serem primárias ao ser humano; serem de nossa natureza.

Logo em seguida, nos deparamos com o rosto de uma das pessoas mais importantes em nossa jornada, e que naturalmente, se tornará nosso primeiro amor.

Minha infância foi rodeada de pessoas; só dentro de casa éramos sempre em mais de dez. Não me recordo muito dessa época, confesso, mas o sentimento que me trouxe aqui hoje, me qualifica a dizer o pouco que me lembro.

Mamis linda não contou com o apoio do namorado quando me teve, tão pouco quando teve minha irmã. Conhecemos infinitas histórias de finais infelizes quando iniciados dessa forma, mas no nosso caso, houve um fator determinante pra que o final fosse outro; a família.

Eramos cuidadas por nossa avó materna enquanto minha mãe voltava a rotina do trabalho; eramos mimadas por nossos tios; acolhidas por nossos primos; e extremamente colocadas embaixo das asas do nosso avô que, durante sua jornada nesse mundo, foi nosso pai.

Mesmo sem sabermos da historia que nos pôs como filhas de uma mãe solteira, nunca nos questionamos quanto a isso. Sabe aquela conhecida história de “por que ele não me quis?”, isso nunca passou por nossas cabeças, e fomos plenamente felizes.

Após a partida de nosso avô as mudanças foram evidentes na rotina da casa, o ânimo não foi o mesmo por anos, e as festas de família nunca mais estiveram completas. Mas com o passar do tempo, isso nos uniu mais.

A fase da aborrescência não foi fácil, reclamávamos sim, e até ficávamos com raiva as vezes, mas o sentimento de gratidão e amor por cada um deles sempre se manteve. Perdemos as contas de quantas mães felicitávamos no dia das mães; elas eram, e ainda são muitas. Todas guerreiras que ergueram a cabeça e foram a diante.

Juntos nos ensinaram a amar um ao outro, a estender a mão quando o outro precisa, a não negar a ajuda – ou a emprestada de roupa -, mesmo quando brigados. Já fiquei meses sem falar com uma de minhas tias, e até uma semana sem falar com a minha irmã, e mesmo situações como essas posso dizer que serviram para aumentar ainda mais o sentimento que construímos ao longo desses anos.

Sei que devido o prazo de validade do corpo eles não durarão para sempre, mas tenho certeza que enquanto aqui estiverem, cada um deles e a cada uma delas me apoiará como se eu ainda fosse uma criança aprendendo a andar.

A emoção de uma tia saída do forno

Durante a gravidez, todos os mimos recebidos são transformados em energia positiva para ser aproveitada após o nascimento do bebê

– Autor desconhecido

Falando por mim mesma, é difícil entender uma gravidez quando acompanhada de longe. E quando digo de longe, refiro-me àquela que não é sua de alguma forma, seja mãe, pai, avós, tios, irmãos, amigos próximos, e etc., ou quando você não passou por àquela situação alguma vez na sua vida. Por mais que tentemos, não sentimos plenamente o que ela é.

Isso aconteceu comigo há alguns anos atrás, com o nascimento da minha prima. Acho que a palavra que busco pra descrever é ‘comum’; não senti nada especial naquele momento. Claro, a amo desde que a vi – apesar das chatices normais que vêm aparecendo com os anos -, mas nunca foi algo tão sensível pra mim.

Em Agosto foi o batismo católico do filho de um amigo muito querido, que já vivenciou inúmeros momentos com a minha família; é parte de nós, assim como sua namorada e agora filho.

Essa gravidez muito esperada não foi planejada, e sim, assustou tanto os futuros pais, quanto a quem ficou sabendo, mas o amor começou a crescer desde àquele momento. Nos empolgamos juntos ao saber que era um menino, e nos angustiamos ao vê-lo em um momento tão frágil no nascimento. As dificuldades existiram, mas estando forte e saudável, foi novamente vez de nos unirmos, e nos comprometermos em olhar por ele.

Há poucos meses mal conseguíamos ver seus olhos, de tanto que dormia. Ao pegá-lo no colo, eu ficava toda sem jeito, com medo de derrubar, mas não querendo deixá-lo de jeito nenhum. Me sentindo um pouco mais experiente, poderia ficar o dia todo grudada e sentindo seu cheirinho de bebê – que compartilhamos por sinal kkkkk -. Enfim, é uma vida se transformando diante dos meus olhos.

Que venham muitos meses, anos e décadas pra esse menininho, e que eu possa sempre estar por perto, para enchê-lo de carinho e amor.

Para uma parte de mim ❤